OS MÉDICOS DEVEM USAR GRAVATAS?

“Entenda o título dessa matéria da forma que melhor se adapte a sua realidade. As médicas podem usar adereços? Elas podem usar bijuterias e/ou jóias? Os médicos podem usar aneis? Posso usar minha pulseira favorita para ir trabalhar? Posso usar um sapato aberto para trabalhar? Posso usar maquiagem dentro do Serviço de Saúde?”

Se as gravatas de médicos do sexo masculino transportam mais micro-organismos patógenos do que gravatas de não-médicos, e esses patógenos podem ser transferidos para as mãos dos médicos e, em seguida, aos pacientes,2 por que os médicos dos hospitais no Reino Unido ainda usar gravatas rotineiramente? Será que ninguém fala para os médicos não usarem gravata? Realizamos um estudo da Enfermaria Real de Edimburgo avaliar os riscos e benefícios dos médicos usarem gravatas.

Da metade inferior da gravata de 40 médicos foram coletados com swab e cultivados em Agar – sangue. O total de colônias de bactérias foi contado e as colônias de Staphylococcus aureus resistentes à meticilina (MRSA) e de S. aureus foram identificadas. Os médicos foram indagados quando havia sido feita a última limpeza na gravata analisada. Cem indivíduos, durante um concurso público do hospital, foram convidados a responder um questionário sobre atitudes de médicos não usarem gravatas.

Oito dos 40 (20%) das gravatas de médicos portavam S. aureus. Sete foram sensíveis à meticilina e um foi resistente à meticilina. Dos 40 médicos questionados, 28 (70%) nunca haviam limpado a sua gravata uma única vez. Dos 12 médicos restantes (30%), média de tempo desde que a sua gravata havia sido limpa foi de 20 semanas. Noventa e três (93%) dos 100 indivíduos que participaram do concurso não tiveram nenhuma objeção à proibição aos médicos de usarem gravata. Atributos que o público considerou a ser mais importantes foram: vestir camisa, sendo ao mesmo tempo limpo, arrumado e sofisticado, usar uma identificação clara além de calças compridas (em oposição ao jeans). Vinte dos indivíduos do público concurso eram funcionários do National Health Service (NHS), e seis destes indivíduos (30%) se opuseram a imagem de médicos que não usam gravatas. Este fato quando comparado aos não-funcionários do NHS, apenas um dos 80 (1,25%), que se opôs ao médico sem gravata. A principal razão para tais protestos foi que, supostamente, a gravata possui um papel importante para uma aparência profissional.

Nosso estudo confirma que as gravatas de médicos são capazes de portar bactérias, incluindo o MRSA, e também mostra que a esmagadora maioria das pessoas não seria contra o fato de médicos não usarem gravatas. Pacientes infectados e colonizados parecem ser o maior reservatório natural de MRSA, o transporte momentâneo pelas mãos dos profissionais de saúde parece ser o mecanismo mais importante mecanismo de transferência de micro-organismos de pacientes para pacientes.3-5 No entanto, as gravatas dos médicos podem carregar agentes patogênicos, como MRSA, e estes patógenos podem sobreviver no tecido das gravatas tempo suficiente para promover a infecção cruzada. As bactérias podem ser transferidas das mãos dos médicos para os pacientes ou diretamente da gravata ao paciente. Portanto, acreditamos que as gravatas são uma potencial fonte perigosa de infecção cruzada além de um reservatório de bactérias.

A aparência de um médico é obviamente importante, especialmente para alcançar um aspecto profissional.6 Sentimos que muitos fatores contribuem para a aparência de um médico, e o questionário sugere que há diversas alternativas para obter um vestuário adequado, a gravata pode ser retirada sem muito prejuízo à imagem do médico.

Se já provaram a todos que as gravatas dos médicos podem carregar potenciais patógenos e a maioria das pessoas não se opõem ao fato de médicos não usarem gravatas, por que médicos do Reino Unido ainda usam gravatas rotineiramente? Nosso questionário sugere que os funcionários do NHS se opõem mais aos médicos sem gravatas que o pessoal não funcionário do NHS (30%: 1,25%, respectivamente). Os estudos precedentes também revelaram que os médicos possuem uma atitude mais discriminatória com relação à imagem de outros médicos.7 O uso de gravatas não é mencionado na política de uniforme do NHS de Lothian ou em outro NHS não foi encontrado. O General Medical Council (GMC) não possui nenhuma orientação sobre o que os médicos podem usar no trabalho, protegem-se dizendo que isso não é algo da sua competência (segundo o Departamento de Comunicação da GMC). Talvez ninguém possua bastante convicção de abandonar o uso da gravata apesar dos apelos de fazê-lo.8

Bibliografia:

1. Nurkin S. Is the clinician’s necktie a potential fomite for hospital acquired infections? In: 104th General Meeting of the American Society for Microbiology. New Orleans: American Society for Microbiology; 23e27 May 2004.

2. Boyce JM, Potter-Bynoe G, Chenevert C, King T. Environmental contamination due to methicillin-resistant Staphylococcus aureus: possible contamination implications. Infect Control Hosp Epidemiol 1997;18:622e627.

3. Thompson RL, Cabezudo I, Wenzel RP. Epidemiology of nosocomial infections caused by methicillin-resistant Staphylococcus aureus. Ann Intern Med 1982;97:309e317.

4. Wolinsky E, Lipsitz PJ, Mortimer EAJ, Rammelkamp CHJ. Acquisition of staphylococci by newborns. Direct versus indirect transmission. Lancet 1960;276:620e622.

5. Mortimer EA, Lipsitz PJ, Wolinksy E, Gonzaga AJ, Rammelkamp CH. Transmission of staphlococci between newborns; importance of the hands of personnel. Am J Dis Child 1962;104:113e119.

6. McKinstry B, Wang JX. Putting on the style: what patients think of the way their doctor dresses. Br J Gen Pract 1991; 41:275e278.

7. Gjerdingen DK, Simpson DE, Titus SL. Patients’ and physicians’ attitudes regarding the physician’s professional appearance. Arch Intern Med 1987;147:1209e1212.

8. Batty D. Doctors urged to ditch ‘dirty’ ties, 06/06/03, Guardian Unlimited. Available from: http://society.guardian.co.uk/publichealth/story/097229800.html [accessed 03.08.04].

http://www.youtube.com/watch?v=V4HUtqNyLwo

 

 


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