Constituição genética de bactérias patogênicas é similar a das inofensivas

Microbiologistas da Universidade do Arizona descobriram que a constituição genética de bactérias patogênicas e suas primas inofensivas é muito mais parecida do que se pensava. No mundo bacteriano, os mocinhos podem, potencialmente, se transformarem em vilões e vice-versa, em uma simples troca de genes.

Os pesquisadores estudaram bactérias pertencentes ao gênero Neisseria, que colonizam as membranas mucosas dos seres humanos. Intrigada com a questão do porquê de algumas espécies de Neisseria serem comensais – colonizadores inofensivos, cuja presença no organismo passa despercebido, enquanto outras causam a doenças – a equipe identificou o código genético completo de oito espécies de Neisseria comensais. Em seguida, os compararam com os genomas de duas espécies patogênicas conhecidas, causadoras de gonorreia e meningite.

“O conteúdo gênico de espécies de Neisseria é fluido e não gravado em pedra”, disse Madalena So, professora no departamento de imunobiologia da UA, onde dirige o Programa de Patogênese Microbiana. “Essas bactérias têm a capacidade de adquirir novos genes”.

Esta é a primeira vez que os cientistas determinam o conteúdo total do gene de um grande grupo de bactérias comensais e compara com os genomas de patógenos relacionados. Para surpresa, os pesquisadores não encontraram nenhuma demarcação clara entre a genética de Neisseria comensais e patogênicas. De fato, muitos comensais têm os mesmos genes conhecidos para promover a virulência nos dois patógenos.

Há evidências de que muitos gene têm sido trocados entre comensais e patógenos. Como os agentes patogênicos, os comensais têm o mecanismo para adquirir informação genética de alta frequência. Isto leva a equipe a suspeitar que é comum o intercâmbio de genes de espécies Neisseria.

“Nós sabemos que a capacidade de Neisseria patogênicas para causar a doença requer múltiplos genes de virulência”, disse So. “Se, por acaso, Neisseria comensais adquirem a combinação certa de genes de virulência, elas se tornam patogênicas”.

A investigadora explica que ainda desconhece o teor dessa combinação. “Temos um bom palpite e o conjunto enorme de dados que desenvolvemos neste estudo permitem-nos fazer suposições melhores.”

Como se dá o intercâmbio

A Nisseria usa o chamado pili, estruturas altamente especializadas feitas de proteínas arranjadas como uma mola, para assumir grandes trechos de DNA – normalmente o DNA de outras espécies de Neisseria. Este processo ocorre com frequência e cerca de uma em cada 10 bactérias pega o DNA de outra. O DNA recém-adquirido é então inserido no genoma. Desta forma, as bactérias adquirem ferramentas moleculares que são vantajosas para a sua sobrevivência em um ambiente em rápida mutação.

Em trabalhos anteriores, o grupo descobriu que as bactérias também usam pili para se comunicarem com as células de seus hospedeiros. Elas ainda utilizam seus pili para rastejar, se reunir e formar micro-colônias, parte importante no processo de infecção.

“No passado, a microbiologia médica concentrou-se em micro-organismos que causam doenças”, explicou So. “Mas há um mundo de micro-organismos que vive dentro de nós e que não sabemos muito sobre isso.”

“Embora a maioria destas comensais usem o nosso corpo apenas como espaço de vida, outras são necessárias para a nossa sobrevivência. Elas ajudam a digerir o alimento, fornecem vitaminas que nosso corpo não pode fazer ou repelem micro-organismos nocivos”, acrescentou.

Os resultados dessa pesquisa irão renovar o interesse nas relações entre seres humanos e bactérias e pode, ainda, ajudar na descoberta de novos alvos de vacina e antibióticos.

Fonte: Isaúde.net


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