Algodão que conduz eletricidade tece primeiras roupas multifuncionais Redação do Site Inovação Tecnológica – 11/03/2010

Roupas funcionais

Em um futuro próximo, quando você for escolher uma camiseta ou outra peça de roupa, ou mesmo roupas de cama, poderá não ser a grife, a cor, ou nem mesmo a estampa, o que lhe fará decidir entre um modelo e outro.

Você poderá estar interessado, por exemplo, em uma camiseta de algodão que possa monitorar seus batimentos cardíacos, sua frequência respiratória e sua pressão arterial. Ou talvez analisar as toxinas liberadas pelo seu suor.

Mas haverá opções. Como roupas que coletam a luz solar ou geram energia a partir do movimento do seu corpo para recarregar seu celular ou seu iPod. Que tal então uma fronha que monitore suas ondas cerebrais? Ou um lençol que o aqueça ou refrigere de acordo com a temperatura ambiente?

Algodão condutor

Estas possibilidades ainda estão no futuro, mas um futuro cada vez mais próximo, graças ao trabalho da equipe do professor Juan Hinestroza, da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos.

Hinestroza e seus colegas já haviam recoberto fibras sintéticas com nanopartículas, criando tecidos funcionais que podem ser utilizados para fabricar uma roupa antibacteriana que protege contra gripes, resfriados e até poluição.

Agora eles adotaram um enfoque mais naturalista, e decidiram trabalhar com fios de algodão.

O resultado são fibras naturais de algodão capazes de conduzir eletricidade tão bem quanto fios de metal da mesma espessura, sem perder a flexibilidade e a leveza que dão o conforto das roupas de algodão.

Roupa que gera energia

Segundo os pesquisadores, a tecnologia funciona tão bem que simples nós são capazes de completar um circuito elétrico funcional. Para demonstrar isto, eles produziram uma roupa de algodão feita com as fibras funcionalizadas que captura energia solar e a fornece a um dispositivo qualquer, como um recarregador de celular, por exemplo.

A roupa que gera energia será apresentada ao público pela primeira vez no próximo final de semana (13/03), durante o Cornell Design League Fashion Show, um evento promovido pela própria universidade.

Fios de algodão com nanopartículas

A tecnologia para transformar as fibras de algodão em fios elétricos consiste no seu revestimento com nanopartículas condutoras de eletricidade.

“Nós agora podemos ter seções de um tecido de algodão fabricado por técnicas convencionais que sejam condutoras, abrindo um leque impensável de aplicações,” diz Hinestroza, que chegou aos resultados por meio de uma colaboração com colegas das universidades de Bologna e Cagliari, na Itália.

Segundo o pesquisador, o tecido feito com as novas fibras de algodão, além de conduzir eletricidade, mantém sua flexibilidade, sua leveza e é igualmente confortável.

Tecnologias anteriores já obtiveram a condutividade [em tecidos] mas as fibras resultantes tornam-se rígidas e pesadas. Nossa nova técnica deixa nossos fios totalmente adequados para o processamento normal dos tecidos, com a tecelagem, a costura ou até o bordado,” diz o pesquisador.

Roupas inteligentes

Para demonstrar que a tecnologia já superou a fase da teoria, Abbey Liebman, pesquisadora do laboratório de Hinestroza, projetou uma camiseta que utiliza células solares flexíveis que geram eletricidade, disponibilizando-a em um recarregador USB fixado na cintura da roupa.

A energia gerada é suficiente para alimentar um telefone celular ou um tocador de MP3. E não há fios metálicos conectando as células solares e nem ligando-as ao recarregador USB – somente fios de algodão desenvolvidos com a nova técnica.

“Em vez de fios convencionais, nós estamos usando nosso algodão condutor para transmitir a eletricidade, de forma que nossos fios condutores se tornam parte da roupa,” conclui Hinestroza.

Outras tecnologias rumo às “roupas inteligentes” incluem nanofibras que geram energia do movimento, biossensores para monitorar o estado de saúde e monitores de saúde ultrafinos e flexíveis.

O algodão parece mesmo estar em alta junto à alta tecnologia. Há poucos dias, pesquisadores construíram um biochip com linha de costura, feito com agulha de costura e fios de algodão, capaz de realizar exames de laboratório.


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