Riscos ocupacionais em um setor de hemodiálise na perspectiva dos trabalhadores da equipe de enfermagem

Um trabalho muito interessante e completo,  com certeza mais uma leitura enriquecedora para o trabalhador da saúde . Aproveitem!

Para acessar o texto completo, segue o link

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-81452009000200007&lng=pt&nrm=iso

Escola Anna Nery

Michele Karla Damacena da Silva

Regina Célia Gollner Zeitoune

Esc. Anna Nery v.13 n.2 Rio de Janeiro abr./jun. 2009

O presente estudo aborda os riscos ocupacionais existentes em uma unidade de hemodiálise (HD). Na realidade estudada, considerando a rotatividade na equipe de auxiliares e técnicos de enfermagem do referido setor, cabe chamar atenção à necessidade de acompanhamento e treinamento específicos destes profissionais, devido à complexidade do setor e peculiaridade dos clientes renais crônicos, que demandam procedimentos específicos e uso de medidas de proteção e segurança à saúde dos trabalhadores.

A partir desta vivência, as questões sobre a exposição aos riscos ocupacionais tornaram-se uma inquietação a ser avaliada. Neste contexto, surgiu o questionamento com relação à percepção dos trabalhadores da equipe de enfermagem sobre os riscos ocupacionais aos quais estão expostos regularmente em uma unidade de HD.

Os objetivos traçados buscaram descrever os riscos ocupacionais no contexto dos trabalhadores da equipe de enfermagem em uma unidade de HD; analisar o conhecimento do trabalhador da equipe de enfermagem acerca das medidas de proteção e segurança em uma unidade de HD; e discutir o conhecimento do trabalhador da equipe de enfermagem sobre os riscos ocupacionais e as implicações para a saúde do trabalhador.

Por definição, a saúde do trabalhador é entendida como o processo saúde e doença dos grupos humanos, em sua relação com o trabalho, representando um esforço de compreensão deste processo como e por que ocorre e do desenvolvimento de alternativas de intervenção que levem à transformação em direção à apropriação pelos trabalhadores da dimensão humana do trabalho, numa perspectiva teleológica.

Historicamente, os trabalhadores da área da saúde não eram considerados como categoria profissional de alto risco para acidentes de trabalho. A preocupação com os riscos biológicos surgiu somente a partir da epidemia de HIV/AIDS nos anos 80, quando foram estabelecidas normas para as questões de segurança no ambiente de trabalho.

Os agravos à saúde relacionados ao trabalho são classificados em dois grupos: no primeiro incluem-se aqueles que traduzem uma ruptura abrupta do equilíbrio entre as condições e o ambiente de trabalho e a saúde do trabalhador, como os acidentes de trabalho e as intoxicações agudas de origem profissional. O segundo grupo inclui agravos de caráter crônico: a doença profissional típica, definida como aquela inerente ou peculiar a determinado ramo de atividade.

Um outro grupo é constituído pelas doenças relacionadas com o trabalho, definidas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como agravos outros que, em adição a doenças profissionais legalmente desconhecidas, ocorrem em trabalhadores quando o ambiente ou as condições contribuem significativamente para a ocorrência de doenças, porém em graus variados de magnitude.

De acordo com a Norma Regulamentadora nº 9 (NR-9) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), consideram-se riscos ambientais os agentes físicos, químicos e biológicos existentes nos ambientes de trabalho, que, em função de sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar danos à saúde do trabalhador.

Há ainda os riscos ergonômicos, gerados principalmente pela postura irregular dos profissionais de enfermagem em situações como movimentações de pacientes, flexões da coluna frequentes, entre outros.

Já os riscos de acidentes são aqueles inerentes a cada ambiente de trabalho, como, por exemplo, risco de queda decorrente de pisos ou iluminação inadequados.

O ambiente hospitalar apresenta uma diversidade de profissionais de saúde e trabalhadores treinados para realizar variadas atividades necessárias à manutenção da estrutura da instituição. Neste contexto, a equipe de enfermagem constitui a maior representatividade de pessoal dentro do hospital, e sua atividade primordial caracteriza-se na promoção, prevenção e recuperação da saúde de um número elevado de pessoas.

Para controle e diminuição da ocorrência de acidentes e doenças ocupacionais, torna-se imprescindível a realização de educação em saúde para todos os trabalhadores envolvidos com o setor. A educação, no ambiente de trabalho, serve de suporte para que os trabalhadores possam desempenhar suas funções com mais segurança e qualidade, constituindo-se uma exigência de todos os serviços de assistência à saúde.

O processo de trabalho em HD envolve um contato íntimo com fluidos orgânicos, expondo os trabalhadores a diversos patógenos. Diante disso, a adoção de medidas de biossegurança é, de fato, muito importante para que haja uma prevenção efetiva de acidentes e doenças ocupacionais advindas dos riscos biológicos. Para isso, o uso de equipamentos de proteção individual (EPI), como máscara, gorro, óculos, capote, botas, entre outros, torna-se obrigatório a todos os trabalhadores.

O comprometimento da adequada realização destas medidas proporciona maior proteção contra agravos à saúde ocupacional.

Riscos ocupacionais e o contexto da hemodiálise

Nesta categoria, os sujeitos do estudo apontaram os riscos ocupacionais que eles percebiam existir no seu contexto de trabalho. É sabido que a complexidade de uma unidade de hemodiálise expõe os trabalhadores de enfermagem a múltiplos riscos ocupacionais, conforme descritos pelo MTE.

Dentre os riscos ocupacionais percebidos pelos profissionais de enfermagem, está o biológico, que, considerando ser o hospital o ambiente de trabalho, se tornou mais perceptível.

A enfermagem está exposta a várias patologias, como AIDS, hepatites B e C, BK; há também o risco de infecção por MARSA[…]Também lidamos com sangue, secreções,[…]e o risco sempre presente com os perfurocortantes.

A exposição aos riscos biológicos é preocupante, uma vez que são causadores de muitos problemas de saúde dos trabalhadores, pois, ao executarem atividades que envolvem o cuidado direto e indireto aos pacientes, estão frequentemente expostos às infecções transmitidas por micro-organismos presentes no sangue ou outros fluidos orgânicos.

A NR-9, do MTE, considera como agentes biológicos as bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoários, vírus, entre outros.

Dentre os acidentes que podem ocorrer no ambiente hospitalar, os que envolvem os materiais perfurocortantes, em especial as agulhas, têm sido reconhecidos como um dos principais problemas de exposição para os trabalhadores na aquisição de infecções, expondo-os também aos riscos de acidentes.

Os acidentes ocasionados por picada de agulhas são responsáveis por 80% a 90% das transmissões de doenças infecciosas entre trabalhadores de saúde. O risco de transmissão de infecção através de uma agulha contaminada é de 1 em 3 para hepatite B, 1 em 30 para hepatite C e 1 em 300 para HIV.

Os trabalhadores de enfermagem do setor estudado lidam continuamente com uma clientela de características muito particulares, muitas vezes portadores do vírus HIV, da hepatite B e C e muitos outros com precauções respiratórias por BK e de contato. Inclusive há pacientes com precaução de contato por MARSA resistente a Mupirocin (MARSA Mupirocin-R), que estão em precaução de contato por tempo indeterminado.

As medidas de proteção e segurança são formas de prevenção a serem utilizadas na assistência a todos os pacientes na manipulação de sangue, secreções e excreções e no contato com mucosas e pele não íntegra.

Tais medidas incluem a utilização de EPIs, com a finalidade de reduzir a exposição ao sangue ou fluidos corpóreos, e os cuidados específicos recomendados para manipulação e descarte de materiais contaminados por material orgânico.

De acordo com a experiência no setor, é fato que ocorre falta de material em alguns momentos, como capotes, máscaras específicas para proteção contra gases tóxicos, etc. Porém, esta é uma realidade brasileira e não pontual deste estudo, o que merece reflexão acerca do comportamento destes profissionais, visto que há falha por parte de alguns em relação ao uso dos EPIs mesmo quando estes são devidamente fornecidos pelo hospital.

De fato, a aplicação das medidas de proteção não é suficiente para garantir as medidas de prevenção, devendo fazer parte das estratégias as reflexões a respeito das mudanças de comportamento e as causas de acidentes. A não-adesão ou a baixa adesão às recomendações da utilização de barreiras de proteção é uma realidade, o que leva à indagação sobre outros fatores que podem estar contribuindo para este tipo de comportamento.


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Vestimenta de Segurança contra risco biológico confeccionada com tecido tecnológico bacteriostático e utilizada como barreira corporal biológica e física em hospitais, laboratórios, fábricas, restaurantes, entre outros. Inibe proliferação de bactérias trazendo mais segurança a pacientes e profissionais da saúde. Possui modelagem confortável, e é indicada para profissionais que trabalhem em ambiente de risco biológico, ou seja, com probabilidade de exposição ocupacional a agentes biológicos. Entende-se por serviços de saúde qualquer edificação destinada à prestação de assistência à saúde da população, e todas as ações de promoção, recuperação, assistência, pesquisa e ensino em saúde em qualquer nível de complexidade.

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