Anvisa reunirá especialistas no próximo dia 22/10 para tentar frear bactéria KPC que matou 14 no DF mas a Secretaria de Saúde disse ontem que a Bactéria KPC já estava sob controle

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Image by Xavier Donat via Flickr

NOTÍCIA SOBRE A BACTÉRIA KPC

 Mariana Sacramento

Publicação: 14/10/2010 08:00 no Correio Braziliense http://bit.ly/9UCkLb

 Publicação: 13/10/2010 12:08 no Portal de Notícia do DF http://bit.ly/aiAjIB

O surto da bactéria Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC) no Distrito Federal começa a preocupar a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Um grupo seleto de infectologistas e bacteriologistas, de todo o Brasil, irá se reunir no próximo dia 22 para discutir o poder de resistência do micro-organismo e padronizar informações. Desde janeiro, 14 pacientes internados em hospitais privados e públicos da capital morreram infectados pelo KPC. Outros quatro casos estão sendo investigados.O micro-organismo já foi detectado em oito hospitais particulares e em nove (60%) das 15 unidades da rede pública do DF. Dos hospitais públicos, os com maior ocorrência de contaminação pela superbactéria são o Hospital Regional de Santa Maria e o Hospital de Base, todos de responsabilidade do Governo do Distrito Federal. Mantido pela União, o Hospital Universitário de Brasília (HUB) registrou cinco casos suspeitos. Desses, três fatais. A KPC ataca pacientes em estado grave, geralmente internados em Unidades de Terapia Intensiva — UTIs.

A dificuldade em combater a superbactéria preocupa especialistas. Apenas três antibióticos — tigerciclina, polimixina B e amicacina — de eficácia ainda não comprovada, estão sendo usados no tratamento da infecção. “A oportunidade de cura dele (paciente) fica muito limitada. Nós não temos, no momento, a informação se as indústrias estão lançando um antibiótico novo”, afirma Isabela Rodrigues, enfermeira e coordenadora do serviço de controle de infecção do HUB.

“Quando o paciente está mais debilitado ele se torna mais suscetível a qualquer infecção. Nesse sentido, ele não consegue defesa. São três antibióticos usados para combatê-la, mesmo assim não garantem que ele (o doente) vai se curar. O que está chamando a atenção é a dificuldade de tratamento”, complementa Isabela. A KPC é multirresitente ao efeito de remédios. Ela produz uma enzima que inibe a ação dos antibióticos carbapenemênicos, muito usados contra infecções bacterianas.

Documento

Justamente essa dificuldade levou a Anvisa a convocar a reunião do dia 22 próximo. Dela, a agência do governo federal pretende editar um documento para orientar profissionais de saúde de todo o país. “Desse encontro deverá sair um documento de alerta aos profissionais de saúde com orientações para o controle da bactéria”, adianta o gerente-geral do serviço de saúde da Anvisa, Heder Murari.

Além de ser difícil de ser combatida, a KPC requer exames laboratoriais minuciosos para ser diagnosticada — apenas um estudo com material genético colhido do paciente é que pode confirmar sua presença. Ela se manifesta com sintomas de uma infecção normal, febre, dores na bexiga (se for o caso de uma infecção urinária), tosse (se for uma infecção respiratória).

“Recém-nascidos, pessoas com doenças de base (como diabete, problemas no coração, HIV, câncer) são mais suscetíveis à infecção da superbactéria”, alerta o médico Marcos Antonio Cyrillo, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). “Em pessoas saudáveis o risco de ter qualquer infecção é muito pequeno”, esclarece a enfermeira Isabela Rodrigues.

Isolamento

Unidade de Terapia Intensiva

Com poucas armas para a cura, a Secretaria de Saúde do DF tem focado na prevenção.

Jaleco Vida

 A pasta criou um Comitê Gestor Central para monitorar e acompanhar a evolução do surto nos hospitais públicos e privados. Pacientes infectados e colonizados — que têm a bactéria, mas não a infecção — estão sendo mantidos em áreas isoladas. Como a contaminação se dá por meio do contato direto, os materiais hospitalares usados no trato dos pacientes infectados, como luvas, aventais e máscaras, são descartáveis.

Medidas simples de higiene também são fundamentais para evitar a propagação do micro-organismo, “como instalar higienizadores de álcool em gel no leito dos pacientes. Assim como os profissionais de saúde, os visitantes precisam lavar a mão com água e sabão e usar álcool em gel sempre que entrar em contato com uma pessoa infectada”, ressalta Heder Murari, da Anvisa. Por enquanto, a bactéria está limitada ao ambiente hospitalar, garantem os técnicos da Secretaria de Saúde do DF e da Anvisa.

Um boletim com números atualizados sobre o surto de KPC no Distrito Federal deverá ser publicado amanhã. Apesar da gravidade das infecções, ninguém do órgão tem dado entrevista. A assessoria de comunicação limitou-se a informar ontem que, antes da divulgação da nova estatística, ninguém da secretaria falará sobre o assunto.

Faltam registros

Registro Epidemiológico

O Distrito Federal é a Unidade da Federação com maior registros de ocorrências de pessoas infectadas pela bactéria KPC. Além das capital, há relatos de casos em outras grandes cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro e Recife. “Mas não são dados oficiais. Isso tem a ver com a dificuldade de diagnosticar a bactéria”, afirma o gerente-geral do serviço de saúde da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Heder Murari.

Apesar do surto na capital da República, com 14 mortes confirmadas relacionadas à infecção do micro-organismo, Murari acredita que não há motivos para alarme. “As orientações da Secretaria de Saúde estão dentro do preconizado pela Anvisa. Além disso, estamos fazendo um trabalho conjunto de retroalimentação de dados. O que não está sendo feito pelas coordenações de controle de infecções dos estados”, explica Murari. Ele, no entanto, reconhece a gravidade do problema. “Em geral, a bactéria agravou o quadro principal de todos os pacientes infectados no DF.”

A bactéria vem de uma mutação genética e está presente em outros países como Estados Unidos e Itália. “Não é um micro-organismo novo. Ele existe desde a década de 1990. Descrito pela primeira vez em 1996 na Carolina do Norte, nos EEUU. De uns anos para cá, se fortaleceu e apareceu com mais frequência”, explica o diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) Marcos Antonio Cyrillo. “Aqui no Brasil, por enquanto, o surto está restrito a Brasília”, alerta Murari.

De acordo com a secretária de Saúde do DF, Fabíola Nunes, os episódios de infecção hospitalar causados pela bactéria Klebsiella pneumoniae Carbapenemase, mais conhecidas como bactéria KPC, estão sob controle. “A população não deve deixar de procurar os hospitais em razão do medo de contaminação”, diz Fabíola.

A bactéria KPC é resistente aos efeitos de alguns antibióticos, o que dificulta o combate da doença. “Vamos tentar eliminá-la (a bactéria), mas se isso não for possível, pelo menos tratar a doença e evitar novos contágios”, afirma. Conforme Fabíola, a preocupação maior é quanto aos novos casos de contágio, uma vez  que a bactéria está no ambiente hospitalar, onde, em tese, as pessoas já estão com a imunidade baixa. “Queremos evitar que a bactéria saia dos hospitais para a comunidade”, revela.

Ao todo, são 135 casos de KPC confirmados e suspeitos em hospitais públicos e particulares no DF. O Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) registrou 58 ocorrências. Para intensificar o combate à bactéria, a Secretaria de Saúde instituiu o Núcleo de Controle de Infecção Hospitalar. Um grupo está frequentando cada hospital da região para reforçar medidas de limpeza e higienização. Pacientes contaminados também estão sendo isolados para evitar a proliferação.

Lavar bem as mãos, segundo a secretária de saúde, deve ser a principal forma de controle e prevenção. Uma higienização completa entre os dedos das mãos, além do uso do álcool para desinfecção, também é altamente recomendado. A Secretaria de Saúde ainda alerta para o uso indiscriminado de antibióticos, que pode fazer efeito contrário e desenvolver resistência orgânica aos medicamentos.

Sem risco para a comunidade

O primeiro caso da infecção no Brasil ocorreu em Recife, no ano de 2006. No Distrito Federal, a primeira ocorrência registrada foi em janeiro deste ano.

 A Klebsiella pneumoniae carbapenemase é um tipo de bactéria com perfil de resistência que dificulta seu tratamento e pode causar com mais frequência pneumonia e  infecções  do trato urinário, em pacientes em estado grave, pode também causar infecção de corrente sanguinea e como aqueles que necessitam de UTI. Fora do ambiente hospitalar, a bactéria não representa perigo. A forma de transmissão é basicamente por contato com secreção ou excreção de pacientes infectados ou colonizados. As medidas de higiene do ambiente e o uso do álcool a 70% são fundamentais para a contenção do surto.

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