Anvisa: superbactéria KPC já matou 24 no Estado de São Paulo

RAFAEL MORAES MOURA – Agência Estado

BENÍCIO LEÃO – Jaleco Vida

FIOCRUZ

No Estado de São Paulo, chegou a 70 o número de casos notificados de infecção pela superbactéria KPC, informou hoje a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ao todo, 24 pessoas morreram no Estado após a infecção, entre julho de 2009 e outubro deste ano.

 A Anvisa vai publicar na próxima semana uma norma técnica enfatizando recomendações para os profissionais da área de saúde, como a higienização das mãos, e reforçando a necessidade de que as notificações dos casos sejam feitas por Estados e municípios. Mesmo assim, para a agência não há excepcionalidade em torno da KPC.

 “Não há nada de muito novo em relação à preocupação agora, em relação àquela que sempre devemos ter em relação a organismos multirresistentes”, disse o diretor da agência, Dirceu Barbano. A diretoria da Anvisa também decidiu hoje que as salas de atendimento médico, de hospitais públicos e privados, terão obrigatoriamente de ter frasco com álcool-gel, em um prazo a partir de 60 dias após a publicação da norma. O texto deve sair no Diário Oficial da União na próxima semana. A colocação de câmeras nos locais de atendimento e  sobre as pias dos serviços de saúde para verificar primeiramentes se o profissional de saúde lava e, em segundo lugar, se as lava corretamente  seria mais simples, econômico e eficaz.

Apesar do número de notificações, Dirceu minimizou os efeitos da superbactéria. “Os casos de infecções hospitalares com KPC não representam episódio excepcional em relação ao histórico”, comentou. O diretor disse que as medidas adotadas nos casos de KPC são aquelas típicas de prevenção e controle, consideradas padrões. “Existem outros micro-organismos que são tão ou até mais prevalentes.”

Os casos da KPC, observou, ocorrem em ambiente hospitalar, com pacientes de quadro de saúde debilitado. “As infecções são resultado de uma série de fatores, como as condições do paciente e o ambiente no qual ele se encontra. Quanto mais precárias as estruturas, as condições em que as equipes de saúde trabalham, mais precárias serão as condições em que os pacientes serão atendidos.”

Segundo a Anvisa, foram notificados casos de KPC em Minas Gerais (12), Goiás (4) e Espírito Santo (3), entre agosto de 2009 a julho de 2010. No Distrito Federal, a Secretaria de Saúde identificou 183 casos da KPC, dos quais 46 tiveram quadro de infecção e 18 foram a óbito. Para abastecer a rede pública até o fim desta semana, foram comprados R$ 10 milhões em itens hospitalares, em caráter emergencial. Caráter emergencial significa sem licitação. Quem será que ganha dinheiro com essas tais compras sem licitação? Assim como há a “indústria da seca”, pergunto a você: Há uma indústria da “epidemia” ou da infecção?

Barbano ressaltou a importância dos casos serem notificados, para que se tenha uma dimensão mais exata da questão. “É um dever notificar, qual é a consequência para quem não notifica? É fazer parte de um sistema com base de dados frágil”, comentou. “Há o dever estabelecido, mas ao longo do tempo não fomos capazes de estabelecer uma dinâmica de obrigatoriedade.” Por que não conseguem estabelecer uma dinâmica de obrigatoriedade da lavagem das mãos antes e após qualquer procedimento\exame? A utilização inadequada de antibióticos contribui para o quadro de bactérias multirresistentes, observou o diretor. Publicamos nesse website um texto em 19 de junho de 2010 sobre uma proposta que pretendia implantar medidas mais restritivas para a prescrição e comércio de antibióticos isolados ou em associação de uso sob prescrição médica. Parece que a indústria farmacêutica está vencendo até o momento.

Um estudo que investigou a incidência de duas importantes bactérias multirresistentes a antibióticos as enterobactérias produtoras de â-lactamases de espectro estendido (ESBL) e as carbapenemases do tipo KPC (KPC-2) em hospitais do Rio de Janeiro obteve o prêmio de segundo melhor trabalho acadêmico no 2º Simpósio Internacional de Microbiologia Clínica, realizado pela Sociedade Brasileira de Microbiologia, em Florianópolis. O trabalho foi desenvolvido no Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

 

Cinco hospitais foram avaliados no estudo. ” O interesse sobre o assunto surgiu a partir da crescente incidência dessas bactérias nos hospitais estudados e a carência de dados sobre o tema” , relata a estudante Polyana Silva Pereira, que iniciou o trabalho como projeto de iniciação científica e que, devido à importância, continuou nessa linha de pesquisa no projeto de mestrado, conduzido no programa de pós-graduação stricto sensu em biologia celular e molecular do IOC.

O trabalho teve como objetivo determinar a prevalência dos genes codificadores de â-lactamases em 293 amostras de enterobactérias isoladas de hemocultura coletadas em cinco hospitais do Rio de Janeiro no período de 2007 a 2008. Os resultados demonstraram que 41% das amostras foram produtoras de ESBL, encontradas em bactérias como Klebsiella pneumoniae, Enterobacter cloacae, Escherichia coli, Proteus mirabilis, Serratia marcescens, M. morgannii, E. aerogenes, P. stuartii, C. freundii, S. rubidae e K. oxytoca. Todas as cepas foram resistentes às cefalosporinas de terceira geração e algumas apresentaram resistência a outros grupos de medicamentos antibióticos, como aminoglicosídeos, quinolonas e sulfamidas. Já 19% das cepas de K. pneumoniae apresentaram resistência aos carbapenemas e foram produtoras de KPC-2.

A presença destes mecanismos de resistência tem uma interferência direta no tratamento do paciente, reduzindo as alternativas terapêuticas disponíveis. No caso, surge a necessidade de recorrer a antimicrobianos de última geração, o que aumenta a pressão seletiva e pode ocasionar o aparecimento de novos tipos de resistência, restringindo cada vez mais as possíveis opções de tratamento.

De acordo com Polyana, o reconhecimento do trabalho num simpósio internacional de microbiologia clínica, em que foram apresentados trabalhos de grande relevância na área e discutidos temas relacionados a resistência bacteriana foi gratificante. ” O prêmio é um incentivo para darmos prosseguimento à linha de pesquisa” , conclui.

A pesquisa também é assinada pela pesquisadora Liliane Miyuki Seki e Carlos Machado Felipe de Araújo (aluno de iniciação científica) e contou com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

 




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