Insalubridade e o Jaleco


Revista CIPA

A INSALUBRIDADE POR AGENTES BIOLÓGICOS
THE INSALUBRITY BY BIOLOGICAL AGENTS
Antonio Carlos Vendrame

Trabalho apresentado no XV Congresso Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho e artigo de capa da Revista CIPA edição n. 241.

Carente de uma legislação afinada com os novos tempos, o Brasil ainda convive com a figura dos adicionais insalubridade e periculosidade. A legislação que prescreve tais adicionais encontra-se sem atualização há exatos 20 anos. O adicional por riscos biológicos prevê algumas caracterizações de forma bem restritiva; além disso, sua analise é feita sem qualquer mensuração.

A prevenção e controle dos agentes biológicos ainda são negligenciadas pela maioria dos trabalhadores, por desconhecerem os riscos inerentes a tais agentes.

palavras-chaves agentes biológicos, prevenção e controle.

Lacking regulations fitting to recent development, Brazil still adopts the figures of insalubrity and periculosity additionals. Regulation prescribing these figures hasn’t been updated for exactly 20 years now. Additionals for biological risks are recommended only in very specific cases; besides case analyses are not based on proper mensuration.

Prevention and control of biological agents are still neglected by most workers, for they usually ignore the risks inherent to such agents.

Keywords biological agents, prevention and control.

Introdução
Seguindo o exemplo de pouquíssimos países, o Brasil está no rol dos que prescrevem em sua legislação compensação financeira aos riscos provenientes do trabalho sujeito a condições insalubres, e mesmo por situações de periculosidade.

O fenômeno – conhecido por “monetização do risco” – além de se constituir em ínfima parcela monetária, que acaba se tornando complemento de renda do trabalhador, induz o empregador a não empreender quaisquer medidas de proteção, limitando-se somente a remuneração do adicional.

Pouco se tem falado e muito menos publicado sobre o assunto, que apesar de não ser risco característico de indústrias, é inerente à atividade hospitalar e correlatas, em que diuturnamente seus colaboradores estão expostos a toda sorte de agentes biológicos, seres microscópicos, e que por isso fazem com que o trabalhador seja tão cético com relação à sua existência e à ameaça que representam.

Confira o artigo!

http://www.vendrame.com.br/artigos/artigos_ant03.htm

E o jaleco como fica neste ambiente insalubre?

Um indivíduo normal pode eliminar 3.000 a 60.000 microrganismos por minuto, e o número de partículas de 0,3µm emitidas por minuto pode variar entre 100.000 e 5.000.000. Estas partículas funcionam como substrato para a multiplicação microbiana, que duplicam de número a cada vinte minutos. Segundo, manter uma taxa de umidade do ar entre 40 a 60 % afeta a multiplicação destes microrganismos, mantendo-os sob controle.

Os fragmentos de pele ou escamas de pele, capazes de carregar bactérias, têm dimensões que variam de 5 a 60 µm e tamanho médio de 12 µm [1 micrometro (µm) é a milésima parte do milímetro, 1 nanometro (ɳm) é a milésima parte de 1 micrometro]. Já as roupas normalmente utilizadas, por exemplo, nas salas de operação apresentam uma trama com poros de 80 a 100 µm, o que permite facilmente a passagem destes fragmentos. Contudo, percebe-se que na microbiologia existe um universo à parte, e acontece de forma invisível, essencial e perigosa.

A estrutura do tecido possibilita manter microorganismos e suas formas de resistência por longos períodos na vestimenta. O maior inimigo do ambiente hospitalar é invisível, no entanto sua disseminação se dá por negligência (omissão voluntária de diligência ou cuidado; falta ou demora no prevenir ou obstar um dano), imprudência (forma de culpa que consiste na falta involuntária de observância de medidas de precaução e segurança, de conseqüências previsíveis, que se faziam necessárias no momento para avaliar um mal ou a infração da lei) ou imperícia (falta de aptidão especial, habilidade, experiência ou de previsão, no exercício de determinada função, profissão, arte ou ofício).

O uso de um equipamento de proteção individual do tipo jaleco para o profissional da saúde é negligenciado, sendo esse, classificado como uniforme pela maioria das instituições. Tal classificação transfere ao trabalhador a responsabilidade com a assepsia de seu uniforme desonerando, assim, a instituição de suas obrigações legais. Essa negligência/imprudência coloca em risco não só o profissional e os pacientes, mas também a sua família, amigos, além da comunidade externa ao hospital.

O emprego de práticas seguras, como o uso do jaleco, reduz significativamente o risco de acidente ocupacional, sendo importante também a conscientização dos profissionais para utilização de técnicas assépticas e o estabelecimento de normas, conduta e procedimentos que garantam ao profissional e ao paciente um tratamento sem risco de contaminação.

Nos serviços de saúde as infecções são consideradas problemas de saúde pública, devido à sua importante incidência e influência nas taxas de letalidade, especialmente nos hospitais. .
Nas infecções cruzadas, os microrganismos têm um papel passivo, cabendo ao homem o papel ativo; logo, será sobre suas ações o maior enfoque do controle dessas infecções. Atualmente, as normas consoantes à biossegurança são motivos de preocupação, tanto por parte das Comissões de Controle  de Infecção Hospitalar quanto pelos Serviços de Medicina Ocupacional. A utilização de precauções básicas auxilia os profissionais nas condutas técnicas adequadas à prestação dos serviços, através do uso correto de Equipamento de Proteção Individual (EPI), de acordo com a NR-6 da portaria Nº 3.214, de 08.06.78. Essas medidas devem gerar melhorias na qualidade da assistência e diminuição de custos e infecções cruzadas advindas da prática hospitalar e ambulatorial, tanto para os profissionais como para os pacientes e seus familiares.
Dentre as medidas destacam-se os EPIs, que se destinam a proteger os profissionais nas operações de riscos de exposição ou quando houver manipulação de produtos químicos e biológicos, bem como riscos de contaminação com materiais perfurocortantes.
A contaminação da pele e vestimentas (roupas) por respingos e por toque é praticamente inevitável em hospitais e ambulatórios, assim como em consultórios odontológicos. Estudo demonstrou que as roupas são uma importante via de transmissão de infecção no ambiente hospitalar. Desta forma, os jalecos dos profissionais da área de saúde, passam a ser o primeiro sítio de contato em termos de indumentária com a pele, líquidos e secreções dos pacientes, tornando-se com isto um verdadeiro fômite. Bactérias multirresistentes, que podem provocar doenças como faringites, otites, pneumonia,  tuberculose e até mesmo a morte, são carregadas para lugares públicos e retornam das ruas para consultórios médicos, odontológicos, enfermarias e salas de cirurgia nos jalecos dos mais diversos
profissionais de saúde. Freqüentemente, a seriedade da questão é negligenciada por arrogância ou desconhecimento de alguns conceitos básicos de microbiologia. Em restaurantes e lanchonetes da região hospitalar de muitas cidades, observam-se, diariamente, médicos, enfermeiros, odontólogos e  outros profissionais de saúde paramentados com seus aventais de mangas compridas, gravatas, estetoscópios no pescoço e até mesmo vestimentas específicas para áreas cirúrgicas.   Na Inglaterra, a Associação Médica Britânica estabeleceu diretrizes rigorosas para o problema. A entidade condena o uso de gravatas, relógios de pulso, adornos e, sobretudo, o hábito de circular com aventais e jalecos em ambientes não hospitalares, já que vários germes capazes de provocar doenças foram isolados, principalmente  nas mangas e nos bolsos dessas indumentárias.
Muitos profissionais da saúde alegam não haver estudos científicos conclusivos que avaliem o impacto dos jalecos nas taxas de infecção hospitalar e por isso passam a freqüentar os mais diversos  ambientes usando seus uniformes. Diante dessas considerações, o estudo teve como objetivo fazer uma análise da literatura publicada a respeito dos aspectos da biossegurança relacionados ao uso do jaleco pelos profissionais da saúde.

http://www.youtube.com/watch?v=AYw77YkHBJA

As roupas de proteção, onde estão incluídos os jalecos, devem ser utilizadas em todas as atividades em que se manipulem agentes de risco e que possam comprometer a saúde e a integridade física do trabalhador. Dentro do processo de avaliação de risco, a partir da determinação do uso de uma vestimenta protetora, é necessário a escolha da vestimenta correta para que a mesma ofereça a proteção adequada ao tipo de atividade que está sendo desenvolvida. O objetivo principal do uso destes EPI é prevenir o contato de agentes contaminantes com a pele, eliminando ou minimizando, as possibilidades de acidentes, que ocasionem lesões, intoxicações ou mesmo de doenças profissionais e do trabalho.
Estes EPI devem ser confeccionados em materiais que sejam compatíveis aos agentes de risco a que o trabalhador está exposto. Podem ser reutilizáveis ou descartáveis. Devem oferecer conforto na temperatura do ambiente laboral, devendo ser de tamanho adequado de acordo com o porte físico do trabalhador para que não interfira nos seus movimentos.
Os jalecos ou aventais devem ser de mangas longas, devendo cobrir além dos braços, o dorso, as costas e as pernas acima dos joelhos.
Existem uma infinidade de modelos de jalecos e de aventais, confeccionados nos mais diversos materiais. O que irá determinar o material de confecção do jaleco ou do avental é o tipo de atividade a ser executada. Devemos salientar que existem ainda atividades onde os equipamentos utilizados exigem que o jaleco tenha tratamento antiestático, como por exemplo, as balanças analíticas, ou locais onde a liberação de fibras não é aceitável. Atividades como por exemplo a lavagem de materiais, como vidrarias ou no preparo de reativos, o ideal é a utilização de um avental impermeável. Nas áreas laboratoriais ou de assistência os jalecos podem ser confeccionados em tecido de algodão; em algodão tratado para se tornar hidro-repelente; em material sintético; não-inflamável, descartáveis (material não tecido), dentre outros.

One Response to Insalubridade e o Jaleco

  1. PLÍNIO disse:

    Gostaria que o tema abrangece os riscos biológicos de um ambulatório médico pequeno e de uma empresa, onde se realiza consultas médicas e atendimento ocupacional.

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